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Brasileiros e russos criam hoje conselho empresarial

As vendas para a Rússia foram 1,89% do total exportado em 2001.

Brasil e Rússia dão mais um passo para intensificar o relacionamento econômico e comercial. Amanhã, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro ( Firjan ) será instalado o Conselho Empresarial Brasil-Rússia, que será chefiado por Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da Firjan e Aleksandr Livshits, vice presidente da Russian Aluminium, um dos maiores produtores mundiais de alumínio.
"Com a iniaciativa, poderão ser identificados novos canais para aumento do intercâmbio comercial, que já caminha para a faixa dos US$ 2 bilhões anuais“, disse o Embaixador Marcelo Jardim, diretor do Departamento da Europa do Itamaraty. O Conselho Empresarial é o único entre a Rússia e um país latino-americano e adquire importância à medida que a iniciativa aumenta a sua participação na econômia russa.

Oportunidades

O Conselho Empresarial Brasileiro é fruto de entendimento havidos por ocasião da visita do presidente Fernando Henrique Cardoso a Moscou, em janeiro último, e deverá ser integrado por um grupo de empresários representativos de ambos os países, que irão se reunir periodicamente para tratar de assuntos comerciais de interesse comum. Por esse mecanismo, espera-se a identificação de oportunidades comerciais e a resolução de eventuais problemas de ordem jurídica, burocrática e até mesmo relacionados aos financiamentos dos negócios entre os dois países.
O Brasil é o maior parceiro comercial da Rússia na América Latina. De 1993 a 2000, o Brasil obteve superávits comerciais num total de US$ 1,04 bilhão, com média anual de US$ 129,81 milhões. Em 2001, o saldo comercial foi favorável ao Brasil ( US$ 638 milhões ).
Nesse mesmo ano, a Europa Oriental foi a região para onde as exportações brasileiras apresentaram maior crescimento relativo- 160,8%-, especialmente por conta da expansão nas exportações para a Rússia, que somaram US$ 1,103 milhão.
Por outro lado, as importações brasileiras da Rússia sofreram uma redução de 18,7% ( US$ 464 milhões ). Contudo, em 2001, as exportações brasileiras para a Rússia representaram apenas 1,89% do total exportadao pelo País, e as importações, 0,84% das compras realizadas no exterior.
Diplomatas dos dois países acreditam que o comércio pode crescer bastante, pois é ainda insignificante diante das potencialidades.
As exportações do Brasil para a Rússia nos anos 90 corresponderam a cerca de 1% a 1,5% das importações totais daquele país, enquanto as importações brasileiras não ultrapassam 0,5% das vendas externas russas.
Nos últimos anos há uma curva crescente, a partir do estreitamento das relações bilaterais e um maior conhecimento entre empresas de ambos os países. Com base na experiência com o mercado russo, o governo brasileiro quer ampliar contatos com os países do Leste Europeu. De 23 de setembro a 4 de outubro uma missão empresarial brasileira deverá ir à Hungria, Romênia e a República Tcheca.
Ontem em Brasília, Aleksandr Livshits, que é também membro da direção da União dos Industriais e Empresários ( Empregadores ) da Rússia, foi recebido pelo Vice-Presidente Marco Maciel. Maciel é co-presidente com o primeiro-ministro russo Mikhail Kassianov da Comissão Bilateral de Alto Nível, instituída em 2000, tornando-se um importante propulsor do relacionamento bilateral.

Agenda Cheia

Um dos temas da agenda de Livshits com Maciel foi pedir o apoio do Brasil, em nome do presidente Vladimir Putin, para que Moscou sedie a Expo Mundial de 2010, pleito também do México, Polônia, China e Coréia do Sul.
Hoje o empresário russo terá encontros com os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Sérgio Amaral, e com o do Esporte e Turismo, Caio Carvalho.
Segundo Jardim, a União das Indústrias, criada em 1991, com a participação de representantes de grandes empresas públicas e institutos de pesquisas ciêntificas, congrega mais de cinco mil membros que representam cerca de 100 entidades setoriais e associações corporativas, inclusive dirigentes de cerca de 100 companhias estrangeiras, entre elas IBM, Dupont, Fiat, Olivetti, Siemens, Daewoo, FATA e Tomson.
A Russian Aluminium foi fundada em 2000 e é constituída por um grande número de empresas, que abarcam todo o ciclo da produção de alumínio. Situa-se entre as maiores companhias de alumínio do mundo, sendo o segundo produtor mundial de alumínio primário. O faturamento anual da companhia supera US$ 4 bilhões.

Source: Paulo Paiva- Gazeta Mercantil
1º de Agosto de 2002
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