página inicial
mensagem diretoria
sobre a câmara
acordos
historico
como associar-se
negócios
comunidade
cultura e turismo
feiras
fotos
publicidade
filiais
patrocinadores
dados estatisticos
carta embaixador
contato
     email  e-mail
site criado e desenvolvido por WbCD

http://www.advocaciarsilva.com.br/

Portal do Estado de São Paulo

Cummins

J&J





Artigos de Peter Palms em Inglês

Brazilian Beef

Abitrigo

Café Mogi

Sadia

abef






abipecs

Download do Adobe Acrobat Reader


PALESTRA DO DIRETOR-GERAL DO DEPARTAMENTO DA EUROPA

Nos últimos oito anos, durante a gestão do Presidente Fernando Henrique Cardoso, a ação diplomática brasileira para os países da Europa gerou importantes resultados contribuindo de forma significativa para a inserção internacional do Brasil.
Diversas iniciativas de ordem política, econômica e cultural foram implementadas tanto no nível das relações com cada país do continente —onde o Brasil encontra algumas de suas mais tradicionais e produtivas parcerias individuais— quanto no da interação com a União Européia.
O relacionamento com a Europa tem assumido de forma crescente uma natureza única, caracterizada por expressiva combinação de condicionantes:

  • vínculos históricos (descobrimento e colonização portuguesa, os 60 anos da União Ibérica, a presença holandesa no Nordeste)
  • contribuição da imigração e da cultura européia na formação do Brasil (numerosas comunidades de descendentes e valores compartilhados)
  • dinamismo do intercâmbio econômico (a Europa em seu conjunto é nosso principal sócio comercial e a primeira fonte de investimentos diretos no País)
  • a intensidade do diálogo político (os contatos governamentais, sobretudo de alto nível, são constantes e marcados por orientação pragmática).

Em particular no plano econômico, a Europa segue como o mais importante parceiro brasileiro, responsável por quase um terço de nosso comércio exterior (contra 15% do Mercosul e 20% dos EUA) e por estoque de investimentos superiores a 75 bilhões de dólares (cerca de 50% do total, contra 30% dos EUA).

Os capitais privados provenientes de países como Alemanha, Itália, Reino Unido e França contribuíram de modo decisivo para a industrialização brasileira dos últimos 30 anos.
Na onda mais recente de investimentos europeus, destaca-se a participação da Espanha e de Portugal nos setores de telecomunicações, energético e financeiro.

Esse fluxo teve continuidade no ano passado, estimando-se em mais de 60% a participação do capital europeu nos investimentos estrangeiros diretos no Brasil no ano passado.
Voltando ao comércio, em 2001, o Brasil exportou para o mercado europeu (de Lisboa a Vladivostok) pouco mais de 17 bilhões de dólares e importou aproximadamente a mesma quantia, configurando um comércio em nível de equilíbrio.

O relacionamento com a Europa, além do que representa na esfera econômica e comercial, é também essencial do ponto de vista político e estratégico. Nada é mais importante para o Brasil no plano da macroestrutura internacional do que buscar contribuir para o estabelecimento de relações de equilíbrio.

Este tem sido um objetivo perseguido com pertinácia também pela Europa desde os tempos do bipolarismo da Guerra Fria e, com igual razão, neste contexto ainda por definir da globalização.

Compartilhamos com a Europa a defesa de uma ordem internacional estruturada em torno do fortalecimento do multilateralismo —em especial da ONU (no plano político) e da OMC (no plano econômico-comercial)—-, como forma de contra-arrestar as tendências atuais à fragmentação e ao unilateralismo.

Desejamos estimular uma presença cada vez mais ativa da Europa na América do Sul, com vistas a assegurar o equilíbrio e a simetria da ordem regional, sobretudo em função das perspectivas de conformação de uma área de livre comércio das Américas a partir de 2005.
A estratégia desenvolvida pelo Itamaraty nesses oito anos foi justamente a de buscar o estreitamento dos vínculos que nos unem à Europa, visando a assegurar e, eventualmente, ampliar o peso do continente em todas as vertentes de nossas relações exteriores.

No corrente ano, foram particularmente expressivos os desenvolvimentos obtidos em nossas relações com os países da Europa Central e do Leste, e, de forma muito significativa, com a Federação da Rússia.

Por suas dimensões territoriais, demográficas e econômicas, Brasil e Rússia apresentam afinidades e simetrias que os habilitam a construir de forma crescente uma parceria densa, abrangente e inovadora.

Os dois países estendem-se por uma vasta superfície com número significativo de recursos naturais ainda não-explorados. Suas populações caracterizam-se pela diversidade de etnias, que há muito convivem em plena harmonia e tolerância.

Suas economias apresentam níveis de desenvolvimento compatíveis, constituindo-se nos principais pólos econômicos de seus respectivos contextos regionais.

Desde meados da década de 80, no quadro geral das transições políticas e econômicas ocorridas no Brasil e na Rússia tem crescido a aproximação entre os dois países.

Brasil e Rússia, a despeito da distância geográfica, sensivelmente minorada pelos avanços tecnológicos, vêm buscando, do ponto de vista político e do intercâmbio em diversos campos, elevar o relacionamento bilateral a patamar mais compatível com o peso dos dois países no cenário internacional.

Após os anos que se seguiram ao fim da antiga União Soviética e a acefalia que marcou os últimos meses do Governo Ieltsin, a Rússia vem alcançando, a partir da posse do Presidente Vladimir Putin, crescente estabilidade política e econômica.

Putin teve êxito no reestabelecimento do princípio da autoridade, marcando sua presença na Chefia do Estado por uma gestão fundada nos princípios do respeito à Lei e à Ordem Pública.

O desmantelamento das estruturas de poder montadas pelos “oligarcas” e o bem-sucedido combate às manifestações do crime organizado fazem com que a Rússia, neste início de 2002, apresente-se como um país com índices crescentes de estabilidade e confiabilidade.
No ano de 2001, a economia russa manteve crescimento pelo terceiro ano consecutivo. A expectativa para o corrente ano é de um crescimento ao redor de 4%, ainda acima da média internacional.

As contas do Governo em 2001 fecharam com um superávit de aproximadamente 1,7% do PIB.

O Balanço das contas externas russas continuou em 2001 com números impressionantes. As exportações de mercadorias chegaram a US$ 102,7 bilhões e as importações situaram-se ao redor de US$ 53,1 bilhões, criando um saldo comercial de US$ 49,6 bilhões.
As reservas internacionais no Banco Central russo e Ministério das Finanças chegaram, no final de 2001, a US$ 36,6 bilhões.

A dívida externa russa continua a sua trajetória descendente. Apesar de não ter contado com a reestruturação da dívida junto ao Clube de Paris, o Governo russo conseguiu servir a dívida que vencia e ainda antecipar alguns pagamentos. Em dezembro de 2000, a dívida alcançava US$ 161,4 bilhões. No final do terceiro trimestre de 2001, o valor total da dívida havia descido a US$ 156,5 bilhões.

A renda interna continua subindo. Segundo informações do Ministério do Trabalho e do Desenvolvimento Social, em 2001, o salário-mínimo aumentou cerca de 250% em relação a janeiro de 2000.

Existe, em conseqüência, uma maior previsibilidade na relação da Rússia com parceiros estrangeiros, recuperando o país gradualmente sua capacidade de interagir de modo construtivo e responsável com o setor privado internacional.

A visita do Presidente da República à Federação da Rússia em janeiro último significou a consolidação do processo de aproximação entre os Governos brasileiro e russo, iniciado em 1997 com a vinda do então Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Ievgueni Primakov.

O ano de 2001 foi particularmente intenso no cronograma das iniciativas de aproximação bilateral.

Em setembro, em Moscou, teve lugar a realização da segunda reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação e em dezembro passado, em Brasília, ocorreu a reunião da Comissão de Alto Nível bilateral, no quadro da visita do Primeiro-Ministro Mikhail Kassianov ao Brasil.

O intercâmbio de visitas de alto nível oferece a possibilidade de uma efetiva troca de percepções não apenas sobre a conjuntura política e econômica brasileira e russa, como também sobre temas relevantes da política internacional.

Nesse sentido, após a visita que o Presidente da República realizou a Moscou, o Brasil deseja receber o Presidente Vladimir Putin no Brasil ainda no ano de 2002, no que constituiria a primeira visita de um Chefe de Estado russo a nosso País e à América Latina.
No plano comercial, o Brasil destaca-se como o mais importante parceiro da Rússia na América Latina, havendo o intercâmbio bilateral superado a cifra de 1,5 bilhão de dólares em 2001. Exportamos naquele ano mais de 1 bilhão de dólares, um crescimento de nada menos que 160% em relação ao ano anterior.

As exportações brasileiras de carnes suínas não-processadas —autorizadas pela parte russa em fins de 2000— e de aves em muito contribuíram para o expressivo resultado comercial. Somadas, corresponderam a mais de 15% da pauta brasileira de produtos vendidos para o mercado russo no período.

As perspectivas de incremento nas exportações de carnes para a Rússia são muito promissoras, uma vez que sua produção doméstica supre apenas cerca de um terço da demanda interna pela mercadoria.

Em 2002, portanto, caberá envidar novos esforços sobretudo para incentivar a diversificação da pauta exportadora brasileira. Apesar da inegável persistência de algumas dificuldades, as relações comerciais entre Brasil e Rússia têm expressivo potencial de ampliação, pelo caráter complementar das respectivas economias.

No âmbito da cooperação científica e tecnológica, foi acordado e assinado Programa de Cooperação para o biênio 2001-2003, em bases mais concretas que o Programa anterior, tendo sido igualmente estabelecido mecanismo para o acompanhamento da implementação dos projetos incluídos no Programa adotado.

Foram contemplados projetos conjuntos entre instituições dos dois países nas áreas de Oceanologia, Biotecnologia, Saúde, Transportes, Astronomia e Informação Científica e Tecnológica.

No plano da cooperação nuclear, há interesse comum em desenvolver tecnologias inovadoras, inclusive no âmbito da AIEA, tendo presente os princípios do respeito ao meio ambiente, da não-proliferação e da segurança.

Temos interesse em projetos específicos entre instituições dos dois países nas áreas de combustível para reatores e de gestão da vida útil de componentes e equipamentos de centrais nucleares.

No plano da cooperação espacial, missões técnicas brasileiras irão à Rússia neste ano para detalhamento de projetos de interesse comum. A adoção de Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com vistas à utilização comercial da Base de Alcântara por empresas russa constitui outro ponto de interesse.

Na cooperação técnico-militar, foi negociado Memorando de Entendimento na área de Defesa, a ser assinado durante a visita do Ministro da Defesa da Rússia em abril próximo.
No campo da cooperação energética, são amplas as oportunidades de negócios nos setores de transmissão de alta tensão e de sistemas e equipamentos correlatos, áreas onde a indústria russa apresenta reconhecida qualidade.

Vê-se, portanto, que Brasil e Rússia desenvolvem uma relação densa, inovadora e produtiva.
É nesse espírito que convido todos os que aqui estão a trabalhar pelo fortalecimento dessa relação, elevando-o ao nível de urna parceria estratégica de longo prazo e à altura do potencial dos dois países.


Camara de Comercio e Industria Brasil - Russia
Rua Cornélio Pires, 06, Cep: 04320-140 - São Paulo- S.P - Brasil
Telefone/ Fax: +55 11 3637-7143